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Na segunda-feira, dia 3, os alunos da Escola Menezes Costa, no Rincão, tiraram fotografias com faixas em salas de aula
como forma de protesto; na terça-feira, dia 4, os pais boicotaram as aulas, não enviando os filhos à escola e na quarta-feira,
dia 5, houve aula normal, porém com as turmas de 3ª e 4ª séries na mesma sala, como manda a multisseriação definida pelo
Estado.
Porém, na quinta-feira, dia 6, os alunos das duas séries voltaram a ter aulas em salas separadas e com professores diferentes.
A decisão foi tomada pela própria diretora da Menezes Costa, Rita De Witt Souza, que preocupada com a possibilidade de perder
alunos, ordenou que tudo voltasse a ser como no último ano letivo. “Se não separarmos as turmas, vamos perder alunos. Fui eleita
pela comunidade daqui e se sofrer algum tipo de represália, sei que os pais estarão comigo”, justifica Rita. A diretora vai
comunicar a 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), de Estrela, que as turmas estão separadas.
Pais e alunos estão satisfeitos
“Os pais estão preparados para o que vier. Meu pai estudou dessa maneira, mas naquela época havia poucos professores, hoje é bem
diferente”, diz Elaine Araújo, que tem filhos estudando na Menezes Costa. “Se mantivessem daquele jeito, tiraríamos os alunos”,
diz Angélica Anacleto Quadros, que também é mãe de alunos. Ela ressalta que preferiria pagar transporte para o filho estudar em
outro colégio, a vê-lo estudando da forma que estava determinada. “Sei que ia prejudicar o ensino dele”, afirma.
Segundo os pais, a reação dos alunos quando receberam a notícia de que as turmas seriam separadas foi a melhor possível. “Era um
monte de carinhas felizes”, diz o pai André da Costa.
A Escola Menezes Costa também voltará a aceitar inscrições para as turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Comunidade escolar esteve na AL e na CRE
Na terça-feira, dia 4, ocorreu uma audiência pública, no auditório Dante Barone, na Assembléia Legislativa (AL), em Porto
Alegre, com representantes de comunidades escolares e deputados. A secretária da Educação foi convidada, mas não compareceu.
O tema do debate foi a situação que vivem as escolas públicas do estado, com a multisseriação (junção de duas turmas de séries
diferentes), a enturmação (junção de turmas da mesma série) e o fechamento de educandários. Falaram deputados, professores,
alunos, pais, presidente do Cpers/Sindicato, entre outros. O representante dos pais da comunidade da Menezes Costa, Luis
Henrique Quadros Porto, fez seu depoimento pedindo a separação das turmas de 3ª e 4ª série do colégio. A diretora do 8º núcleo
do Cpers/Sindicato, Jucele Comis, falou sobre a situação da região, ressaltando a necessidade de manter a resistência e
desobedecer a qualquer ordem que venha em prejuízo da qualidade do ensino da rede estadual. Na quinta-feira, um grupo de pais
e parceiros da escola protocolaram na CRE um dossiê onde consta todo o movimento feito pela comunidade escolar. |