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Porta aberta Imprimir E-mail
Escrito por Redação   
19-Fev-2010
Numa ocasião em que vimos um transeunte avisar um táxi que este estava com a porta aberta, uma amiga me confessou que, quando se sentia  solitária, deixava a porta da casa entreaberta para que alguém a avisasse, pois essa pequena demonstração de preocupação com ela lhe aquecia o coração nessas horas. Não existe quem não sinta “carência afetiva” pelo menos em alguns momentos, embora muitas pessoas escondam isso tentando passar uma imagem de que são emocionalmente “fortes”, como se alguém pudesse ser completamente autossuficiente nesta questão. O ser humano é interdependente, não temos como fugir disso, não é uma questão de opinião pessoal, já foi até provado cientificamente. Estudos com bebês no primeiro ano de vida, por exemplo, comprovaram que aqueles que não recebiam atenção - pesquisa realizada em hospitais - deprimiam o sistema imunológico e corriam risco de morte, mesmo que recebessem toda alimentação e medicamentos necessários para o seu organismo. 
Também não existe nada mais difícil e complicado que as relações humanas, que deixam marcas na vida de cada um. Um email que “pegou bem” essa questão é um que pergunta se você lembra quem ganhou determinado Prêmio Nobel e depois pergunta se você lembra quem lhe deu apoio em um momento importante da sua vida pessoal. Assim como guardamos as boas lembranças afetivas, guardamos as decepções, como no poema no qual Mário Quintana nos revela que “na primeira vez em que me assassinaram, perdi um jeito de sorrir que eu tinha... Depois, de cada vez que me mataram, foram levando qualquer coisa minha...”.

Só que as coisas são mais complicadas, não se dividem em pessoas que nos fazem bem ou mal, os grandes apoios emocionais e as grandes decepções podem vir inclusive das mesmas pessoas, como acontece nas famílias.
E dá pra saber quem tem razão ? Você, assim como eu, costuma  achar que tem razão. Cada um acha que o seu ponto de vista é o certo. Claro, cada um está certo no fim das contas, se a gente se coloca “na pele” dessa pessoa, se o outro se coloca no lugar da gente. E quem pode julgar os outros, quem tem o direito de se colocar “acima” para julgar o outro e suas circunstâncias ? Talvez o problema maior não seja discutir quem tem razão, mas sim o de tentar impor pontos de vista, de brigar por verdades subjetivas, porque interpessoais. Das quais precisamos para nos sentirmos seguros de que somos reconhecidos, por exemplo. Talvez seja melhor, às vezes, fazer como aquela amiga que espera que lhe perguntem algo ao invés de dizer, espera que a procurem ao invés de ir aos outros dizer a que veio. Talvez o melhor, mesmo, seja simplesmente deixar a porta entreaberta, às vezes.

POR MONTSERRAT MARTINS

 
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