Uma intercambista de Taquari presenciou, no Chile, o forte tremor de 8,8 graus na Escala Richter, que sacudiu o país na madrugada do sábado, dia 27 de fevereiro e repercutiu por todo o mundo.
Luana Quadros (esquerda na foto), 21 anos, havia chegado à capital chilena no dia 19 com o objetivo de fazer intercâmbio e estágio na empresa SurMedia. Ela integra um grupo de quatro universitários, todos da Univates de Lajeado.
Luana estava em uma confraternização com outros intercambistas no momento do terremoto. O fenômeno destruiu prédios e rodovias de cidades chilenas e causou a morte de centenas de pessoas. O abalo foi tão intenso que refletiu até no Brasil. Em alguns pontos de São Paulo, foram registrados, na madrugada pequenos tremores.
Em uma entrevista feita pela Internet, a jovem conta como foi vivenciar esses momentos de medo e tensão. Ela aproveita também para tranquilizar familiares e amigos, dizendo que está tudo bem. Apesar do susto, Luana e seus colegas não desistiram do intercâmbio. O retorno para Taquari está marcado para 23 de julho.
Confira entrevista com a estudante:
OFN - O que sentiste no momento do tremor?
Luana - Eu meio que entrei em pânico, porque todo o lugar estava tremendo. As pessoas estavam correndo para a rua e gritando. Como estávamos entre muitos amigos, os garotos nos protegeram.
Ficamos no salão até parar o terremoto, eu e um amigo ficamos em baixo de uma bancada, alguns se esconderam perto das mesas, mas a maioria ficou no centro do salão, juntos, esperando o tremor passar.
OFN - Durou muito tempo o tremor?
Luana - Creio que dois minutos.
OFN - Após o fim do tremor principal, qual era o cenário que vocês se depararam em Santiago?
Luana - Haviam casas com concreto caindo, prédios danificados, coisas assim. Mas eram só os mais antigos ou com estrutura fraca.
OFN - Quais os sentimentos que tiveram?
Luana - Medo. Eu senti muito medo porque os tremores continuaram e teve outro forte pela manhã.
OFN - Do que sentia mais medo?
Luana - Tinha medo pelos que não conseguia entrar em contato e por nós, já que poderia haver replicas.
OFN - Como foi o dia seguinte ao tremor? O que fez?
Luana - Foi um caos. Saímos para ver a cidade, estava destroçada. Depois, fomos para uma casa afastada porque era mais segura (ela e os outros colegas intercambistas estavam antes em um apartamento). Ficamos lá até domingo, sem conseguir nos comunicar com os outros colegas de intercâmbio para saber se estavam bem. Conseguimos falar com os familiares, mas pouco, só para dizer que estávamos bem.
OFN - Como mantiveste contato com tua família?
Luana - Por um telefone internacional de um colega.
OFN - Imaginavas que poderias passar por isso na tua vida? Achas que isso que ocorreu deixa alguma lição para as pessoas?
Luana - Imaginava que poderiam ocorrer tremores, mas não de grau 8,8. Acho que tudo isso é culpa do homem, a natureza só está se defendendo. Assim como o Rio Grande do Sul foi afetado pela força dos ventos, o Chile foi por esse tremor. Creio que se não mudarmos nossas atitudes, isso pode piorar e muito.
OFN - Pretendes continuar o intercâmbio?
Luana - Sim, porque a empresa onde estou trabalhando é segura e o novo apartamento para onde vamos também. Quero fazer algo para ajudar, vou com os integrantes da SurMedia ajudar quem precisa. Estamos nos preparando para isso.
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