Taquari, 19 de Outubro de 2017
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11/08/2017
Avô com responsabilidade de pai

Dificuldade financeira e inexperiência dos pais são alguns dos motivos pelos quais muitos avós assumem a criação dos netos. Diante disso, a tarefa de mimar e relevar atitudes que seriam controladas pelo pai ou pela mãe é substituída pela incumbência de educar e orientar para a vida. Em alguns casos, o reconhecimento pela dedicação e carinho ocorre quando o neto passa a chamar o avô de pai. 
Nesta semana, para marcar o Dia dos Pais, que se comemora no próximo domingo, 13 de agosto, vamos mostrar a história de dois avôs que criaram os netos e são chamados de “pai”.
 
“Sempre chamei ele de pai”
 
O pai do motorista Sandrini Nogueira da Silva, 26 anos, é o avô materno Pedro Rodrigues da Silva, 81 anos. Pedro criou o neto como um filho. “Desde que nasceu foi morar com nós. Criamos e está deste tamanho aí. Tenho a guarda dele. É a mesma coisa que um filho legítimo”, diz o motorista aposentado que tem outros dois filhos.
Sandrini, que não conheceu o pai biológico, diz não ter tido curiosidade sobre isso. “Sempre chamei ele de pai. Sabia que é o meu avô, mas o meu sentimento é de filho. Quem me pergunta, é ele meu pai, é o meu exemplo”, salienta.
Sandrini diz que a atenção recebida pelo avô supriu suas necessidades, inclusive na vida escolar. “Todos os trabalhinhos de escola que eu fazia eram pra ele. Todos! Em momento algum ele deixou esta falta do pai biológico e nunca tive curiosidade de conhecer. Acredito que ele deu mais do que um pai poderia oferecer, pelo esforço, até mesmo de ir em festinha na escola, o carinho e até o puchão de orelha”. 
Da infância, recorda que todos os dias quando o avô o deixava na escola recomendava “capricha”.
“Desde a primeira vez na escola até eu me formar no ensino médio, ouvia ele dizer. Cheguei a reprovar, ele puchou a minha orelha, daí sim que levei isso para a sala de aula e nunca mais. Hoje faço o técnico em enfermagem com o mesmo pesamento, caprichar”, conta. 
A profissão de motorista exercida por Sandrini também seguiu os passos do pai. Ele iniciou o  acompanhando no táxi e depois prestou concurso público. “Fiz por causa dele (do avô). Eu não queria, daí ele pediu “faz por mim”. Então estudei e passei. Tinham mais de 100 candidatos pra quatro vagas. Fiquei em segundo, porque o primeiro desistiu”, recorda. 
Para Pedro, a conquista foi uma vitória. “Reforçava para caprichar porque queria que ele tivesse um futuro bom, que ele estudasse para ter um futuro. A prova foi fazer o concurso e aprovar”, diz o avô.
Sandrini está aguardando a chegada do seu primeiro filho para fevereiro e se espelha no avô. “Pra mim ele foi um pai, é o meu exemplo, quero seguir os caminhos dele pra um dia eu ser para o meus filhos o que ele foi pra mim”. 
 
“É uma relação normal, de pai para filho”
 
O aposentado Nivaldo Rocha Costa, 60 anos, também é chamado de pai pelos três netos: Leonel, 19 anos, e Leandro, 17, netos por parte da filha mais velha de Nivaldo; e Ramon, de 14, da filha mais nova.
Desde pequenos, os três moram com o avô. “Na época, o pai e a mãe não podiam criar. Tinha que ser eu. O mais novo até tinham como criar, mas ele começou a ir lá pra casa por causa dos outros e também ficou”, conta. Nivaldo dedicou toda a sua atenção e esforço às crianças. “Tive muita dificuldade, porque ganhava muito pouquinho. Tive um monte de profissão, trabalhei na Prefeitura, de operário, de servente, motorista, o que precisava de mim, eu fazia, porque tinha que pagar água, luz, comida, e às vezes o dinheiro não chegava”, lembra.
Para os meninos, o avô sempre supriu todo o papel da família. “É uma relação normal, de pai para filho. Quando eu era pequeno, não sabia que ele não era o meu pai, mas mais para frente, fui descobrindo as coisas. Depois que a gente fica mais velho, tu até vai pensando que é um pouco chata essa situação. Mas nunca me fez falta, porque eu sempre tive o que quis, sempre ganhei as minhas coisas. Ele (Nivaldo) sempre foi nas apresentações de Dia dos Pais, das Mães, ele sempre ia”, contou o mais velho, Leonel.
Nivaldo diz que tem pelos netos o sentimento de pai para filho, que se angustia quando os meninos saem, briga quando fazem coisa errada e quer vê-los cedo em casa. Ele também se orgulha de cada passo dos rapazes. “Todos estão estudando. O Leonel está atrás de serviço, saiu do exército agora. O Leandro já é Jovem Aprendiz na Certaja. Eu digo assim: agora que eles estão grandes, criados, se Deus quiser me levar, pode me levar, minha parte eu já fiz. Mas ainda quero ver se crio os bisnetos e tataranetos”, brinca.
 
 

 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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