Taquari, 19 de Outubro de 2017
NOTÍCIAS
06/10/2017
Infância bem registrada

Enquanto no passado a fotografia era algo raro, atualmente faz parte do dia a dia das famílias. Com a facilidade do acesso a câmeras fotográficas, é possível registrar os mais variados momentos da vida, desde viagens até o prato preferido. 
Com as crianças, a questão, muitas vezes, é mais intensa. Da gestação ao longo da vida, os pais estão clicando todas as novidades e gracinhas para, além da sua memória, eternizar o momento.
A nutricionista Rosiane Lima da Rosa, 30 anos, guarda da sua fase de criança até os 10 anos, três fotografias. Ela lembra que as possibilidades de fazer as fotos eram limitadas, além do custo ser mais alto. Já sua filha Anita, de quatro anos e meio, tem cerca de 500 fotografias. Só impressas, feitas em stúdio com fotógrafo profissonal, são bem mais de 100. “Acho que fiquei um pouco frustrada por não ter. Para a formatura, quando sempre se seleciona fotos de criança, eu não tinha”, comenta a mãe.
Como hoje está mais fácil, ela procura registrar as várias fases da filha. “Até o primeiro ano da Anita, fiz todos os meses para companhar o desenvolvimento”, diz. E a pequena, já acostumada com o flash, não tem problemas em posar para as fotos. “Gosto de fazer coisas diferentes, com temas, mando fazer roupas diferentes só para fazer as fotos”, destaca a mãe, que não contabiliza o quanto investiu em fotografias nestes quatro anos. “Nem quero fazer as contas”, brinca.
Na era das selfies e das redes sociais, Rosiane diz que prefere não expor muito. “As últimas que tirei dela não postei no Face até hoje. É bem raro, não gosto de expor”, conta. 
Fotógrafa há 10 anos, Luana Souza da Rosa, que trabalha com público infantil, diz que mesmo com a crise econômica, as pessoas não deixaram de procurar o profissional da área. “Fala-se de crise, mas continuam tirando foto. Diminuiu o número, mas não deixaram de tirar”, comenta.
A intenção das famílias, segundo ela, é registrar o desenvolvimento das crianças, especialmente no primeiro ano de vida. “São fases muito importantes. Nos primeiros dias, tem o NewBorn, que agora todo mundo quer, quando o bebê dorme mais, é mais fácil de posicioná-lo. Depois segue mensalmente até o primeiro ano. O acompanhamento pode ser mensal, trimestral ou semestral”, relata a fotógrafa.
Para ela, a procura por fazer fotografias dos filhos ocorre porque, como são imagens digitais, muitas pessoas não mandam imprimir. “Hoje, pela facilidade de tirar com o telefone, as pessoas não têm a preocupação de salvar a foto. Aí vem aqui e tiram pela necessidade de acompanhar o desenvolvimento do filho. Antes tiravam e mandavam revelar para não perder”, avalia. 
 
A fotografia desde o parto
 
Com a facilidade do acesso à fotografia, as equipes médicas e de enfermagem que realizam partos precisam dividir espaço com um novo profissional. Os fotógrafos começaram a participar do momento do nascimento para eternizar o primeiro contato da família e o bebê. “O momento mais importante do ser humano é a primeira vez que a mãe vê o filho, o rostinho, as feições. A foto eterniza a emoção”, diz o fotógrafo Igor Azevedo, que trabalha há quatro anos. Ele está se preparando para atuar nesta área e já tem agendamento para o próximo ano. “Teve uma mãe que quando mandei a prova das fotos, disse que assim foi possível saber os momentos da criança após o parto”, diz.
A auxiliar de laboratório, Ariane Vargas Silva, 29 anos, conta que ela e o marido decidiram fotografar a chegada do primeiro filho, Arthur, há dois meses. “O parto é algo mágico e muito desejado por nós (ela e marido), e não poderia passar em branco. A melhor maneira era registrar cada momento, e o pai não ia conseguir fazer isso. Foi o momento mais importante das nossas vidas, muitas partes eu acabei não acompanhando por estar ali na maca, então as fotos registraram toda essa parte que vai ficar guardada pra sempre”, observa. 
 
A exposição na internet
 
Com as redes sociais, muitos pais publicam as fotos dos filhos para mostrar os feitos ao círculo de amigos ou seguidores. “Assim como expomos constantemente nossas vidas na internet, é normal que a aparição de nossas crianças também tenha aumentado uma vez que são seres sociais. É uma lógica natural e da qual não poderemos fugir”, destaca a psicóloga Cybelle Freitas de Azeredo Coutinho. Porém, ela alerta para o uso do bom senso pois há situações que poderão gerar constrangimento para o filho quando ele for maior. “Os pais, na ânsia e alegria do momento que estão vivendo, não avaliam que esses compartilhamentos podem trazer conseqüências graves. Ponderação é tudo. Se a foto de seu bebê ou criança pode ser considerada constrangedora, a melhor saída é o não compartilhamento em redes sociais ou internet de forma geral. Mais tarde, ou até mesmo no momento, a foto pode colocar a criança em exposição e causar vergonha. Aos pais recomendo que façam a pergunta: será que meu filho ou minha filha gostaria de ver essa foto futuramente? Se a resposta for não ou talvez, não poste!”
Ela observa ainda para questões de bullying e cyberbulling (bullying praticado pela internet), da pedofilia e prostituição infantil, que pode utilizar as fotos dos filhos que foram postadas sem malícia nas redes. “Aqui cabe sempre a prevenção!”, diz. 
A psicologia considera, segundo Cybelle, que a exposição excessiva, entre outras coisas, demonstra o vazio do ser humano. “Precisamos expor constantemente nossas vidas para demonstrar que estamos bem, que somos felizes e que nada negativo nos atinge. Essa busca de afirmação é tão grande que acabamos por expor nossos filhos com a mesma intenção. Demonstrando que foram desejados, amados desde a concepção e que cada momento (registrado) é a prova disso. A ponderação e discernimento são essenciais para não termos que lidar com as consequências futuramente”, alerta.
 
 
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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