Taquari, 22 de Novembro de 2017
NOTÍCIAS
10/11/2017
Quadrilha faz cordão humano e explode agência da Caixa

O estrondo dos explosivos utilizados para roubar o dinheiro dos caixas eletrônicos da agência da Caixa Econômica Federal na madrugada de sexta-feira (3) marcou a entrada de Taquari na lista dos municípios que tiveram agências bancárias explodidas por criminosos.
Conforme testemunhas, era por volta das 2h quando quatro homens armados com fuzis e pistolas desceram de uma caminhonete Blazer e renderam cinco pessoas que estavam em frente ao bar Point 24 Horas, no momento da ação. Outras pessoas que estavam no local correram em direção ao estabelecimento e se esconderam.
Os reféns foram levados até o meio da Avenida Lautert Filho e foram obrigados a formar um cordão humano, para impedir a passagem da polícia. Motoristas que passavam pela via no momento da ação também foram rendidos. Entre eles, um policial que estava à paisana e teve o seu carro baleado pelos bandidos.
A quadrilha também fez ameaças aos moradores que saíram para ver o que estava acontecendo. 
Em seguida, eles entraram na agência bancária da Caixa Econômica Federal, situada ao lado do estabelecimento, para roubar o dinheiro. Testemunhas afirmaram que ocorreram pelo menos três explosões. A entrada da agência ficou totalmente destruída.
Após recolher o dinheiro, a quadrilha fugiu em direção à Rodovia Aleixo Rocha da Silva. Entretanto, conforme testemunhas, eles teriam retornado minutos depois e passaram em frente à agência bancária, mas não pararam. Conforme a Brigada Militar, eles teriam dado algumas voltas pela cidade antes de fugir. 
Policiais de Paverama, Estrela e Teutônia foram acionados para auxiliar a BM de Taquari a fazer um cerco na região. Entretanto, ninguém foi preso. “Demorou muito tempo para isso acontecer em Taquari”, relata uma das testemunhas que estava no Point durante a ação. “Assim que eles chegaram, corri para trás do balcão para não ser pego pelos caras.”
 
Polícia Federal não se manifesta sobre investigação
 
No início da manhã de sexta-feira, dia 3, a Polícia Federal, acompanhada do Grupo Antibomba, esteve na agência bancária e falou com testemunhas. A reportagem conversou com os agentes, na ocasião, mas foi informada de que deveria procurar a assessoria de imprensa da PF. Entretanto, até o fechamento desta edição, a polícia não se manifestou a respeito da investigação.
 
Na mira dos assaltantes
 
Dois jovens que viraram reféns e ficaram sob a mira do armamento pesado da quadrilha relataram a O Fato Novo o que aconteceu durante o ataque à agência da Caixa Econômica Federal. 
 
“Tapem os ouvidos”
 
Guilherme de Freitas Lopes, 24 anos, saiu de uma festa e foi junto com alguns amigos, inclusive o seu irmão, até o Point para beber. O local estava lotado. Eles estavam na entrada do estacionamento do bar quando um dos criminosos, armado com um fuzil, apareceu.
“A gente até pensou que era uma brincadeira”, conta Guilherme, “Mas aí levamos um choque quando percebemos que era real.”
Guilherme pensava que os assaltantes queriam roubar o dinheiro ou o carro dele ou dos seus amigos. Entretanto, a quadrilha obrigou-o e mais quatro pessoas a irem até o meio da avenida e ficarem de mãos dadas para formar um escudo humano. “O Point estava lotado, e quando olhei para lá parecia que não tinha mais ninguém, estava todo mundo escondido ou abaixado.”
Para ele, se trata de uma quadrilha de ladrões profissionais. “No início, eu achei que eles iam atirar na gente. Mas o cara tentava nos acalmar. ‘Fiquem tranquilos, não vai dar nada com vocês. A gente só quer o dinheiro do banco”, ele  dizia, bem tranquilo”, relata.
Ele ainda conta que, momentos antes da primeira das três explosões, um dos assaltantes deu orientações aos reféns. “O cara que estava vigiando a gente nos disse com a maior calma: ‘se quiserem, tapem os ouvidos’. E aí deu um estouro forte que quebrou tudo e estourou todos os vidros. E a cada explosão, eles falavam para a gente colocar a mão no ouvido.”
Após pegar o dinheiro, o grupo entrou em um veículo e seguir em direção à rodovia Aleixo Rocha da Silva. Mas, quando todo mundo havia pensado que havia terminado, a quadrilha passou de carro em frente ao banco. “Depois que eles foram embora, todo mundo que estava no Point e alguns moradores foram para a rua quando os caras voltaram. Aí, quando eles voltaram todo mundo começou a gritar e sair correndo”, conta Guilherme.
Embora não tenha saído ferido, ele ainda não se recuperou totalmente do ataque ao banco. “Dias depois, estouraram um foguete e eu dei um pulo. Nunca tinha me assustado com um foguete. Mas na hora eu já comecei a pensar no assalto, nos tiros. E toda a noite sonho com isso.”
Para ele, é momento de todos os taquarienses se unirem para pedir mais segurança. “A população tem que se unir para isso. Vamos deixar política de lado, partido de lado, em prol da cidade. Tá mais do que na hora. Caso contrário, alguém vai acabar se machucando”, concluiu.
 
“A gente não queria que a polícia chegasse”
 
Outra testemunha, que fez parte do cordão humano, concedeu entrevista para o jornal. A vítima, que pediu para não ser identificada, conta que estava com Guilherme e com outros amigos bebendo no Point, quando foram abordados por um cara, com touca ninja que portava uma arma grande, anunciando o assalto. 
Assim como Guilherme, ela também pensou que se tratava de uma brincadeira, até serem obrigados a formar o cordão humano no meio da rua. “A gente não queria que a polícia chegasse. Porque daí poderia rolar troca de tiro e nós, que estávamos no cordão, seríamos os primeiros a ser atingidos”, relata.
A testemunha conta que não imaginava que os assaltantes iriam explodir a agência. “De repente um deles disse: ‘Tapem os ouvidos’. Mas eu não tinha entendido o motivo. Não imaginava que eles iam explodir o banco. Aí eu fiquei apavorada.”
Porém, para ela o momento mais assustador foi outro. “Depois que acabaram de tirar o dinheiro da agência, um dos assaltantes perguntou para outro se eles levariam algum refém. Nessa hora foi que eu mais tive medo”, conta.
Depois que a quadrilha foi embora, a vítima correu imediatamente até o quartel da Brigada Militar para pedir ajuda. 
Para ela, o fato de ter virado refém e ter ficado no cordão humano durante o ataque à agência vai ficar marcado. “Nem saí ainda depois disso. Não sei como vai ser. Mas pra lá eu não vou mais, nem pensar. Agora vou repensar os lugares que eu vou sair, não ficar perto de banco nem nada.”
 
Prefeito decreta situação de emergência na área da Segurança Pública 
 
Ainda na sexta-feira, dia 3, o prefeito o prefeito Emanuel Hassen de Jesus, o Maneco, decretou situação de emergência na Segurança Pública, em virtude do ataque à agência bancária. 
“Este decreto foi motivado pela sequência de crimes que ocorreram na cidade e que têm acontecido em espaço de tempo cada vez menor, como assaltos à residências e ao comércio, e que culminou com a explosão do banco, onde pessoas foram feitas reféns e ameaçadas por fuzis”, explica.
Segundo ele, o decreto é uma forma de alertar o Governo do Estado quanto à situação da segurança em Taquari.
“O decreto é o nosso último grito de alerta. Porque nós já nos reunimos duas vezes com o secretário de segurança. Se nós formos lá de novo, vamos fazer o quê? Então, a única saída que resta ao município é fazer o decreto de emergência, que é para chamar a atenção mesmo”, afirmou.
Para ele, está na hora de o Governo Estadual assumir as suas responsabilidades. “A gente espera que eles tomem alguma providência. Entendemos que existe uma crise e sabemos que existe uma dificuldade. Mas é preciso fazer algo para não ter que esperar alguém morrer.”
 
Outros ataques no Vale do Taquari em 2017
 
3 de junho - Taquari 
Caixas eletrônicos situados na Prefeitura de Taquari foram alvo de criminosos na madrugada do dia 3 de junho (sábado). Pelo menos dois homens invadiram a Prefeitura, renderam o vigia e arrombaram o caixa eletrônico com maçarico. Em dezembro de 2016, uma ação semelhante já havia sido registrada na Prefeitura de Taquari.
 
18 de julho - Paverama
Criminosos explodiram a agência do Banco do Brasil, situada na Rua 4 de Julho, principal via do Centro de Paverama. Na ocasião, o cofre da agência também foi violado.
 
10 de agosto - Maratá
Em Maratá, município próximo a Montenegro, no dia 10 de agosto, quinta-feira, pelo menos cinco homens armados explodiram uma agência do Banrisul, por volta da 1h30 da madrugada, no Centro da cidade. Eles fugiram em um carro branco em direção a uma área rural da cidade.
Cerca de 40 minutos depois, uma outra agência do Sicredi foi atacada em Barão, município a 32 quilômetros de distância de Maratá. O ataque foi realizado com a ajuda de explosivos. Na fuga, os criminosos espalharam miguelitos pela rua, para impedir a perseguição da polícia.
 
19 de agosto - Bom Retiro do Sul
Por volta da 1h30 do sábado, 19 de agosto, uma agência do Sicredi, localizada na avenida Senador Pinheiro Machado, no Centro de Bom Retiro do Sul, foi alvo da ação de criminosos. Cinco homens armados pegaram cerca de 20 pessoas que passavam pelo local, montaram um cordão humano e colocaram explosivos na sala de autoatendimento. Foram realizadas quatro explosões para abrir os caixas eletrônicos.
 
20 de setembro - Tabaí
Por volta da 1h30, quatro homens explodiram dois caixas eletrônicos do posto bancário do Banrisul, situado na rua 28 de Dezembro, Centro de Tabaí, e fugiram em direção à BR-386.
 
4 de outubro - Paverama
A agência do Banrisul, situada na Rua 5 de março, no Centro de Paverama, foi alvo de criminosos por volta da 1h30 da madrugada da quarta-feira. Por volta da 1h30, um grupo explodiu um caixa eletrônico e o cofre do banco.
 
Comunidade mobiliza-se por mais segurança em Taquari
 
Diante dos últimos casos de assaltos registrados nos últimos meses  em Taquari, um grupo de comerciantes e empresários mobilizou-se para pedir mais segurança no município.
Na próxima terça-feira, dia 14, às 13h30, os comerciantes vão fechar as portas dos estabelecimentos do Centro por 60 minutos e se reunirão na Super Quadra de Compras vestindo roupas pretas e carregando cartazes. A ideia é fazer uma hora de silêncio. Toda a comunidade está convidada a comparecer.
“O objetivo é tentar, através dessa paralisação, mostrar para os nossos governantes que a situação está caótica. Porque Taquari precisa de mais brigadianos e de mais policiais civis”, afirma Luciano Lautert, que, junto com outros empresários, formou um grupo para elaborar esta e outras iniciativas que ajudem a melhorar a segurança em Taquari. 
“Está na hora da comunidade tomar uma atitude e não esperar que os outros resolvam as coisas para nós . Precisamos buscar uma solução para os nossos problemas”, concluiu.
 
Audiência vai debater segurança
 
Ainda na terça-feira, acontecerá uma audiência pública no Theatro São João, às 20h30, para debater a situação da segurança pública no município. O evento está sendo organizado em parceria com a Prefeitura Municipal, a Câmara de Vereadores e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).
“A ideia é dar voz para a comunidade na questão de segurança pública. A comunidade se movimentou em uma sessão da Câmara e nós achamos que a população precisa se manifestar”, afirma Maicon Costa, presidente da CDL.
Na sexta-feira passada, dia 3, Maicon e reuniu-se com o prefeito Maneco (PT), o vice André Brito (PDT), os vereadores Zé Harry (PDT), Leandro Mariante (PT), Ramon Jesus (PT) na sede da CDL para tratar da audiência pública.
“Após o ataque ao banco, que a gente já previa que ia acontecer, resolvemos realizar a audiência. Já fizemos inúmeras tratativas com o Governo do Estado, quase que já esgotamos as fontes de solicitação ao Estado. Então queremos debater a situação com a comunidade”, explica Mariante (PT). 
 
 
 
 
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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