Taquari, 16 de Julho de 2018
NOTÍCIAS
17/11/2017
Audiência pública debate a segurança em Taquari

Na noite da última terça-feira, dia 14, ocorreu no Theatro São João, uma audiência pública que tinha como finalidade em debater a segurança Taquari. Durante a ocasião, autoridades apresentaram dados e informações sobre a situação do município e responderam a questionamentos da comunidade.
O evento, entretanto, teve pouca adesão da população: cerca de cinquenta pessoas estiveram presentes, deixado muitas cadeiras do teatro vazias. “Talvez nós tivéssemos que ter um público e uma presença maior da comunidade diante de tal problema, em que a gente é cobrado diariamente”, comentou o vice-prefeito André Brito (PDT) durante a audiência.
A mesa das autoridades contou com a presença do coronel Gleider Cavalli Oliveira, responsável pelo Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Taquari (CRPO-VT); do juiz de Direito da 1ª Vara do Foro da Comarca de Taquari, Leonardo Bofill Vanoni; do deputado estadual Nelsinho Metalúrgico (PT); do soldado Erikson do Couto, representando o Corpo de Bombeiros de Taquari; do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Maicon Costa; do vice-prefeito André Brito e do vereador Leandro Mariante (PT).
 
Falta de estrutura também afeta judiciário, afirma Juiz
 
Em sua fala, o juiz de Direito da 1ª Vara do Foro da Comarca de Taquari, Leonardo Bofill Vanoni, falou sobre a gravidade da situação. “O problema da segurança pública é um problema generalizado. A gente observa que há um aumento massivo da criminalidade em todo o Estado, principalmente no interior, que não é acostumado com essa realidade”, disse.
Para ele, o aumento da criminalidade possui diversas causas, entre elas a desigualdade econômica, a falta de oportunidade de empregos e a falta de investimentos na educação. “Não foi por acaso que disseram que nos anos 1980 que se o Brasil não investisse em educação a gente teria que investir todo esse dinheiro em presídios. E hoje a gente vive isso.”
Outro problema apontado pelo juiz é a falta de estrutura do Estado e o sucateamento da segurança pública e do judiciário. “A Brigada Militar não tem efetivo para acompanhar a criminalidade. Então fica difícil evitar o crime. A Polícia Civil, que investiga o crime após ter acontecido, também tem um déficit enorme. Depois tem o Ministério Público e o Judiciário, que também sofre muito com a falta de estrutura.”
Há também a falta de vagas no sistema penitenciário gaúcho, que afeta o trabalho do judiciário. “Há toda uma investigação, resulta num processo, há uma sentença condenatória e não temos vagas no presídios. E muitas vezes vem o discurso do ‘prende e solta’, mas esse discurso é falacioso. Cada vez se prende mais, mas não temos mais vagas em presídios”, afirmou.  Segundo ele, muitos presídios tem uma ocupação cinco vezes maior que a sua capacidade.
 
Sem expectativas de aumento do efetivo
 
O coronel Gleider Cavalli Oliveira, do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Taquari (CRPO-VT), falou um pouco sobre a situação da Brigada Militar na região e em todo o Estado. “A Brigada tem uma defasagem histórica. Ela nunca esteve com o seu efetivo completo. Agora, estamos em um ano sem expectativa de aumento de efetivo”, afirmou. Ele espera que, no próximo ano, o efetivo de Taquari aumente e todo o Vale receba mais horas extras.
Apesar do baixo número de efetivo, o coronel ressaltou que a Brigada Militar de Taquari vem realizando o seu trabalho como pode. “Nós continuamos fazendo a nossa parte. Neste ano, a BM abordou 2.019 pessoas e efetuou 63 prisões”, afirmou. Ainda segundo ele, nos primeiros nove meses do ano, foi apreendido o dobro de entorpecentes que em 2016.
 
Representante do Corpo de Bombeiros faz desabafo
 
Era quase meia-noite quando cederam espaço para que o soldado Erikson do Couto pudesse falar sobre a situação do Corpo de Bombeiros de Taquari. Inicialmente, ele disse estar decepcionado com a ausência da população na audiência.
“Olhando essas cadeiras vazias me dá tristeza, porque a comunidade precisava estar aqui”, comentou. 
O soldado falou sobre a falta de efetivo do quartel em Taquari, que dificulta o trabalho dos bombeiros. “Nós estamos trabalhando com apenas cinco militares, a gente não consegue nem ter uma escala para manter o quartel aberto. Estou com o telefone e, se der uma ocorrência hoje de noite, vou ter que ligar para Montenegro.”
Ele também fez um desabafo. “Hoje me vejo uma pessoa inútil. Muitas vezes eu estou sozinho e muitas vezes eu vou escutar reclamações. Mas eu tô com as mãos atadas e eu não posso sair com o caminhão sozinho pra atender os senhores, mas eu não posso”, disse.
 
Comunidade manifesta apoio à segurança pública
 
Apesar da pouca participação da comunidade na audiência pública, muitas pessoas que estiveram presentes utilizaram o espaço para trazer sugestões para melhorar a segurança pública em Taquari.
Uma delas foi a comerciante Mirian Pasa, que representou o Grupo Apoiadores de Taquari, responsável por organizar a caminhada na Sete de Setembro em prol da segurança. O grupo é formado por empresários e comerciantes do município que vêm se reunindo há mais de um mês para discutir soluções para a segurança.
“Não queremos criticar e, sim, auxiliar na realização de um trabalho de recuperação da segurança pública de Taquari”, disse Mirian. 
Durante a audiência, ela leu para os presentes um documento com sugestões para enfrentar os problemas da segurança pública em Taquari. “Se elas forem aceitas, pedimos que a administração se manifeste, principalmente, colocando previsões de datas para a implantação destas”, afirmou.
Entre as sugestões, destacam-se as seguintes:
• Tornar Taquari atrativo para a vinda e permanência de efetivo policial (Brigada Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros), oferecendo melhores condições de serviço, com local apropriado de trabalho, armamento adequado, viaturas condizentes com as necessidades e auxílios-moradia e alimentação para policiais com vencimentos mais baixos.
• Dar prioridade máxima quanto ao projeto de videomonitoramento, caso o projeto atual, que está em andamento com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Prefeitura e Governo do Estado, não seja possível de realizar. O grupo também sugere que  o legislativo taquariense reduza em 10% o seu orçamento de 2018 para a iniciativa.
• Realização de palestras com profissionais da área de segurança, em todas as associações de moradores de bairros, em parceria com a administração municipal e a comunidade.
• Diante da notícia que as lideranças de Venâncio Aires solicitaram, em audiência na Secretaria de Segurança do Estado, a agilização para a transferência do posto da Polícia Rodoviária Estadual da localidade de Amoras para Vila Estância Nova, na RSC-287, o grupo sugere que a administração municipal de Taquari e a comunidade entrem nessa disputa e ofereçam a possibilidade de instalação de um posto na entrada do nosso município, na Rodovia Aleixo Rocha.
 
Comerciante critica ausência de vereadores
 
Por fim, Mirian fez um desabafo sobre a ausência de parte dos vereadores durante a audiência. “Isso muito me envergonha. Um assunto extremamente importante e olha a plateia vazia. Mas se nem todos os vereadores estão presentes, o que a gente pode esperar?”, comentou.
A reportagem constatou que, além de Mariante, estiveram presentes na audiência os vereadores Clóvis Bavaresco (PP), Marquinho (PSDB), Pastora Mara e Ramon Kern (PT). Já Ademir Fagundes (PDT), Tio Nei (PSDB), Vânius Nogueira (PDT) e Zé Harry (PDT) não compareceram. Mariante disse aos presentes que os vereadores ausentes tinham compromisso.
 
Vigilância 24 horas nas agências bancárias
 
Durante a audiência, Luiz Darlan Schnoremberger, que atua há muitos anos como vigia, aproveitou o espaço para pedir que as agências bancárias de Taquari coloquem vigilância 24 horas, uma vez que existe uma lei municipal aprovada e pelo fato de os bancos terem sido alvos de ataques nas últimas semanas. Ele também sugeriu a criação de guardas municipais.
Entretanto, o coronel da Brigada Militar questiona se a implantação de vigilantes 24 horas será a melhor opção. “O que faria um vigilante dentro de uma agência bancária às duas horas da madrugada, com um colete à prova de balas e um revólver na cintura, chegando assaltantes com fuzis?” perguntou. Para ele, antes de colocar uma pessoa “à mercê da própria sorte”, é preciso debater essa questão com muito cuidado e com responsabilidade.
 
Estudante questiona deputado
 
Um estudante do Colégio Pastor Dohms, Victor Bastos (16), aproveitou o espaço para fazer uma pergunta ao deputado estadual Nelsinho Metalúrgico (PT). “O deputado estadual falou que os salários dos servidores públicos estão sendo parcelados. Mas, quando se trata de pagar salário de deputado, tem dinheiro. Por que pode parcelar o salário das pessoas que lutam a favor da população e dos deputados não?”
Em resposta ao estudante, Nelsinho afirmou que existem orçamentos independentes e por isso que o legislativo não tem parcelamento dos salários. “De fato, isso é uma situação constrangedora para todos nós, inclusive para o Executivo, Legislativo, Judiciário e para a população do Estado, que paga a conta.”
 
Presidente do GAP quer construir novo quartel para BM
 
O presidente do Grupo de Apoio à Polícia, Antônio Leandro Medeiros, falou da situação do grupo aos presentes. Segundo ele, o GAP quer construir um novo quartel para a Brigada Militar na Avenida Lautert Filho. “A gente tem dinheiro para começar o prédio da Brigada militar. Acho que ia ser o local ideal ali na Avenida Lautert Filho. São R$ 45 mil reais de doações. Ele vai utilizado para o quartel”, afirmou.
Ele também fez críticas à administração municipal. “Todos os governos contribuíram com o GAP. O único que não é o atual. Hoje, o grupo é que mantém a funcionária que faz as carteiras de identidade na delegacia. Não recebemos nenhum centavo da administração municipal.”
O vice prefeito André Brito respondeu ao comentário. “O Governo atual teve que colocar quatro funcionários no Corpo de Bombeiros e mais duas na Polícia Civil. São seis funcionários da Prefeitura. Acho que esse debate precisamos estabelecer, mas não podemos transferir essa responsabilidade do Estado para nós.”
 
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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