Taquari, 11 de Dezembro de 2017
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01/12/2017
Homenagens marcam a despedida de Eraci Rocha

Amigos e familiares de Eraci Rocha Almeida passaram pela Câmara de Vereadores de Taquari, entre a madrugada da quinta-feira até a tarde da sexta-feira, para se despedirem do intérprete nativista. Ele faleceu na manhã da quinta-feira, 23 de novembro, aos 69 anos, no hospital da PUC, em Porto Alegre, onde estava internado desde o dia 14, em decorrência de complicações da diabete.
Eraci Rocha era conhecido pela voz marcante nos festivais de canção nativista realizado no Estado, especialmente na década de 1980 e, por este motivo, a música foi uma das formas de prestar as homenagens. Durante a madrugada, o amigo Everton Ferreira cantou, entre outras, Veteranos, de Os Serranos. Na tarde da sexta-feira, a despedida dos familiares foi tocando e cantando algumas canções interpretadas pelo nativista, Pra Matar Saudade, título de um dos seus discos; Vento Norte e Pilão. Também, “Como é Grande o meu Amor por Você”, do cantor Roberto Carlos, um dos seus ídolos. 
O caixão estava coberto com as bandeiras das suas paixões: o Grêmio Futebol Porto-Alegrense, do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Rio Grande do Sul. Havia ainda a da Sociedade Carnavalesca Batutas da Orgia, do qual foi fundador. 
Eraci Rocha Almeida era natural de Taquari e tinha mais de 300 canções gravadas e inúmeras participações em festivais, como Califórnia da Canção e Seara da Canção. É conhecido pelas canções Vento Norte, Raça, Pra Matar Saudade, Nas Varandas, Tá Assim de Graxaim e Pilão, entre muitas outras. Gravou três discos com os títulos Raça, Dentro do Coração, que conquistou o prêmio de disco do ano em 1990, e Pra Matar Saudade (2002) foi avaliado pela crítica como um dos melhores trabalhos de todos os tempos da música nativista do Rio Grande do Sul.
Em Taquari, envolveu-se com o Carnaval, sendo o fundador da Sociedade Carnavalesca Batutas da Orgia. Gravou sambas-enredos da Irmãos da Opa e o Hino do Grêmio Recreativo Alvi Negro, de Taquari. 
O sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal na tarde da sexta-feira. Ele deixa três filhos: Virgínia, Guilherme e Tiago, três netos e a companheira, Magda Martins Mariante.
 
Amigos destacam o legado de Eraci Rocha 
 
A amiga, cantora e comunicadora, Maria Luíza Benitez, esteve no velório. “Estamos tendo uma grande perda porque é um dos artistas mais completos do nosso Rio Grande do Sul, além de um ser humano com coração tão grande. Na época em que ele estava no Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), dirigiu, nós músicos, tão bem, distribuiu os shows para todos sem dar aquela separação entre partidos políticos. Guardo o Eraci como o meu irmão do lado esquerdo do peito. Era uma liderança no movimento tradicionalista, respeitado pelos músicos pela integridade dele, ética e talento que ele tem, porque pra nós ele continua”, salientou a amiga. Ela contou que a primeira vez que Eraci subiu em um palco foi para acompanhá-lo. “Eu estava defendendo uma música, em 1981, na 1ª Seara da Canção de Carazinho. A partir daí não nos desgrudamos mais. Eu viajei o Rio Grande com o Eraci. Com certeza, no Ministério da Música, lá do outro lado do véu, ele foi muito bem recebido”. 
Luiz Carlos Knierim, que trabalhou com Eraci Rocha no IGTF, também veio a Taquari e lembrou os projetos desenvolvidos. “Como servidor público que foi, ao ser presidente do IGTF, no período do Olívio Dutra, quando fui comandado por ele por um período, era muito hábil com os recursos humanos, sabia dirigir o conjunto de técnicos que estava ali, tirando de cada um aquilo que poderia dar. Ele tinha uma habilidade que admirava nele. Tinha autoridade sem ser autoritário. Ele envolvia as pessoas nos projetos, abria espaço para que executassem os projetos. Foi na gestão dele no IGTF que desenvolvi o projeto museu do som regional, uma das maiores campanhas de recolhimento de LP em todo o Estado, ele abriu espaço para que eu fizesse este trabalho”, destacou. Também, conforme lembra Knierim, foi criado um estúdio público de gravação. “Ele sabia que muitos artistas não tinham como gravar. Buscou patrocínios, conseguiu os recursos e contruímos o Estúdio Público de Gravação César Passarinho, para dar oportunidade aos músicos novos que não tinham dinheiro para alugar um estúdio e pudessem fazer o seu CD. Hoje, está inativo. Infelizmente, com o fechamento do IGTF, estas coisas todas se perderam, lamentavelmente”, diz.  
O ex-governador Olivio Dutra, amigo de Eraci Rocha, manifestou-se através das redes sociais. “Não pude registrar meu preito a ele na hora, nem acompanhar seu féretro e transmitir pessoalmente meus pêsames aos seus familiares e amigos na sua terra natal. Faço-o agora para dizer do meu sentimento de perda de uma pessoa especial, participante ativo das atividades culturais nativistas e urbanas do nosso Estado. Sua música, seu canto e suas letras traduziam sentimentos de ternura e poesia de raízes luso-açorianas em diálogo harmonioso com o telurismo gaúcho. Isso me impressionava bem toda vez que o ouvia e assistia”, escreveu.
 
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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