Taquari, 20 de Setembro de 2018
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08/12/2017
MISTURA FINA: Presidente nacional do PSOL iniciou militância em Taquari

O historiador Juliano Medeiros, 34 anos, foi eleito presidente nacional do PSOL, durante o 6º Congresso do partido, que ocorreu no último final de semana, em Luziânia, Goiás. Sendo um dos mais jovens a assumir o cargo máximo dentro da diretoria de um partido no Brasil, Juliano tem grande bagagem na luta pelos direitos dos estudantes, militância que iniciou em Taquari, na década de 1990, no Instituto Pereira Coruja.
Natural de Sapucaia do Sul, o jovem mudou-se para Taquari aos 10 anos, em 1993, junto com os pais, Dionísio Medeiros e Maria de Lourdes Oliveira (in memoriam). “Meu pai já tinha morado em Taquari nos anos 80 e gostava muito da cidade, achava uma cidade muito traquila. Quando ele se aposentou, a família se mudou para Taquari. Meu pai morou aí, no Bairro Praia, até três anos atrás”.
Integrante do Grêmio Estudantil do Instituto Pereira Coruja, na gestão 1999/2000, Juliano envolveu-se com o projeto Constitutinte Escolar, proposto pelo Governo Olívio Dutra, em 1999. O projeto tinha o objetivo de reunir professores, funcionários, alunos e família em busca de um novo modelo de educação. “Eu acabei me envolvendo com esse projeto e conheci a militância petista e do PC do B que tinha na cidade, pessoal que estava ajudando a fazer esse projeto do Governo do Estado. Foi um pouco nesse contexto de relação com esses jovens petistas e comunistas que militavam por esse projeto dentro do Pereira Coruja, que eu acabei sendo tocado pela realidade das desigualdades, das injustiças sociais e fui me envolvendo cada vez mais com as políticas de esquerda. Comecei minha militância política aí na cidade”, conta Juliano.
O jovem morou em Taquari até 2001, quando deixou o município para integrar o movimento estudantil regional, em Lajeado, e começou a coordenar a juventude do PT no Vale do Taquari. Ainda na causa estudantil, Juliano fez parte do Diretório Central Estudantil (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde realizou o curso de história, e chegou à diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE), o mais relevante movimento estudantil no Brasil, com sede em São Paulo.
Na última quarta-feira, por telefone, Juliano Medeiros concedeu entrevista ao Mistura Fina. Confira parte da conversa.
 
Mistura Fina – Após os movimentos estudantis, onde você passou a atuar?
Juliano Medeiros  – Depois da UNE, eu deixei o movimento estudantil, já estava com 26 ou 27 anos e vim trabalhar na Câmara dos Deputados, com o deputado Ivan Valente do PSOL de São Paulo,
aí eu já estava no PSOL. Nesse momento, eu coordeno a liderança do PSOL na Câmara dos Deputados, faço parte da assessoria da liderança do partido aqui na Câmara e presido a Fundação Lauro Campos, que é a fundação de estudo e de pesquisa do PSOL. Moro em Brasília há 8 anos.
 
Mistura Fina – Quando você saiu do PT?
Juliano Medeiros  – Eu saí do PT junto com um grupo de militantes. Em 2005, teve uma segunda leva de petistas que saíram do partido, na época do Mensalão. Eu fazia parte de um grupo dentro do PT que saiu coletivamente. A nossa perspectiva, que é solcialista revolucionária, não tinha mais espaço dentro do PT, e aí foi uma saída de milhares de militantes do PT do partido, entre eles, eu.
 
Mistura Fina – Como foi para chegar a esta presidência nacional do partido e quais as metas de sua gestão?
Juliano Medeiros  – Para mim, foi uma grande honra, um orgulho que 55% dos delegados do partido no Congresso Nacional, que representam uma militância de 130 mil fialiados no PSOL, tenham optado pelo meu nome para a presidência do partido, tendo outros nomes tão qualificados como a própria Luciana Genro, Marcelo Freixo e outros nomes. Foi uma grande honra para mim, sou o presidente mais novo na história do PSOL e um dos mais jovens do Brasil, inclusive, de todos os partidos políticos. Então tem uma ideia de renovação aí por trás, você colocar na presidencia do partido alguém que expresse um disposição de renovar a esquerda. Esse é um símbolo que a gente quis estimular com a minha eleição. Em relação aos desafios, o principal deles sem dúvida nenhuma é a eleição presidencial do ano que vem. Nós vamos buscar ter um nome competitivo, que possa de alguma forma expressar a necessidade de renovação da esquerda brasileira. O meu maior desafio como presidente do PSOL é conduzir essa campanha eleitoral do ano que vem.
 
Mistura Fina – O PSOL deve ter candidato próprio em 2018? Já tem nome para isso?
Juliano Medeiros  – A decisão é ter candidato próprio em 2018 e nesse momento nós estamos discutindo com o Guilherme Boulos, que é lider do Movimento Trabalhadores Sem Teto (MTST), principal movimento social hoje no Brasil. Temos dialogado com ele sobre a possibilidade de ele se filiar ao PSOL e concorrer à presidência da república, numa espécie de frente democrática, frente social, com o pessoal de movimentos sociais. Estamos dicutindo com ele sobre isso e avaliando com ele esta possibilidade.
 
Mistura Fina – Fala-se muito em divisão da esquerda num cenário eleitoral para 2018. Para ti, um maior número de candidatos de esquerda pode dificultar uma vitória para a presidência ou não?
Juliano Medeiros  – Eu gosto sempre de falar das esquerdas, porque nós somos diferentes também. As esquerdas são muito plurais, mas claro, há forças com as quais nós temos mais identidade e outras que nós temos menos identidade. Mas eu não acho que a divisão em si seja um problema, a questão é que a unidade ela não pode se dar a partir de interesses meramente eleitorais ou de cálculos circunstanciais. A unidade das forças de esquerdas tem que se dar em torno de um programa político e não em torno de um líder, nem em torno de um apelo à unidade abstrato. Se outras forças de esquerda toparem dialogar um programa que tenha perspectiva radical, no sentido de enfrentar com radicalidade os problemas da sociedade brasileira, a gente está aberto ao diálogo, mas não acreditamos que o apelo a unidade por si só seja suficiente para abrir mão de programas ou de princípios.

 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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