Taquari, 18 de Junho de 2018
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15/12/2017
Complexo de vira-lata

    “Só no Brasil mesmo”, quantas vezes você ouve ou diz essa frase por aí?
“Complexo de vira-lata”, conceito criado por Nelson Rodrigues, significa “a inferioridade em que o brasileiro se coloca voluntariamente em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima”.
O Brasil chegou a contrariar essa regra algumas vezes, a mais recente delas na crise financeira internacional em 2008 quando foi um dos países que conseguiu manter níveis de emprego melhores que da Europa, na época. Anos depois, agora tudo voltou ao “normal”, ao que estamos acostumados, com a economia piorando aqui e se reorganizando lá.
A própria economia é resultado de uma série de fatores e um deles é o comportamento social, fatores psicológicos, culturais, que influem nas mais diversas facetas do processo econômico, desde a produtividade até o mercado financeiro.
Baixa autoestima nacional, decididamente, não ajuda em nada na recuperação ou no    desenvolvimento do país, muito pelo contrário. Quanto pior pensarmos do Brasil, menos faremos por sua evolução. Civilização é um ato intencional, exige esforços, como é o caso do combate à corrupção.
Sem pessoas e instituições com espírito público, que acreditem na possibilidade de construir um país melhor, nada será feito para corrigir e combater os nossos problemas. Então, o que pensamos do país importa muito !
Qual a origem do preconceito contra nós mesmos? Por que desvalorizamos o Brasil e superestimamos americanos, europeus e asiáticos? Os estudiosos do nosso “complexo de vira-lata” identificaram algumas hipóteses sobre a origem do fenômeno, que teria relação com o processo de formação do povo brasileiro.
Não existe um biotipo brasileiro “puro” ou com características tão bem definidas, como por exemplo alemães ou japoneses. A principal característica do brasileiro é ser justamente “misturado”, um povo mestiço, oriundo da miscigenação entre raças de três continentes, europeus, africanos e americanos.
Neste século XXI de intensos conflitos culturais, religiosos e étnicos, a miscigenação brasileira – que impôs a necessidade de convivência com as diferenças – se torna uma qualidade da qual o mundo necessita. O primeiro a levantar essa tese foi o austríaco Stefan Zweig em “Brasil, um país do futuro”. Mas há intelectuais que preferem nos descrever como “Náufragos, traficantes e degredados”, contribuindo para eternizar o mito de mal-nascidos, de seres inferiores. Zweig viu a ideologia que sustenta o complexo de vira-lata – e que esse problema não é só nosso, é mundial.
 
Montserrat Martins
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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