Taquari, 18 de Novembro de 2018
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29/12/2017
MISTURA FINA: Vereador Clóvis Bavaresco acha uma pena não terem estuprado Maria do Rosário

Mais uma vez o vereador Clóvis Bavaresco (PP) proferiu comentários de ódio que repercutiram no Facebook. Depois de desejar, em janeiro de 2017, que a ex-primeira dama, Marisa Letícia, fosse para o inferno, o vereador, na última quarta-feira, comentou que era uma pena não terem estuprado com violência a deputada federal Maria do Rosário (PT), durante um assalto em que foi vítima.
O comentário foi feito em uma postagem no Facebook da GaúchaZH, que noticiava o assalto sofrido por Maria do Rosário na última quarta-feira, no qual foi roubado o automóvel da deputada. “Não quiseram estuprá-la? Vagabunda!!!”, disse o vereador taquariense. Em outro comentário, o progressista lamenta o fato de a deputada não ter sido estuprada ou maltratada durante a ação. “Não maltrataram ela? Não a estupraram com violência? Não mataram nenhum parente dela? Que pena!!! Ela deveria sofrer na carne!!!”, concluiu o vereador.
O Mistura Fina procurou o vereador para falar sobre o assunto. Por telefone, ele concedeu entrevista na manhã de ontem. Confira, na íntegra.
 
Mistura Fina - O que motivou o seu comentário?
Clóvis Bavaresco - Isso é indignação. No momento que tu tem uma filha, que entraram dentro da casa dela para assaltar à mão armada, no momento em que eu fui assaltado duas vezes no meu local de serviço, lá na Certaja, onde os caras colocaram um arma apontada para gente, enquanto tu está carregando ração para um cliente, e eles te chamarem de vagabundo, isso causa indignação. E outra é os abigeatos que eu já sofri aqui fora. Então assim, pessoas que querem maior segurança e depois ficam criticando o que eu falei são hipócritas, não têm o direito de reivindicar maior segurança. Por que a Maria do Rosário, sempre que a Brigada faz alguma autuação, claro que tem que cuidar os excessos, mas sempre que faz uma autuação justa e digna para defender a sociedade, ela tá sempre com esse tal de direitos humanos que eu não concordo da forma que está posta, então esta é a minha indignação e eu não volto atrás no que eu disse.
 
Mistura Fina - Não volta atrás no que disse?
Clóvis Bavaresco - Não, o que eu disse é indignação. Eu estou indignado ainda com a insegurança que a gente está e ela é uma das promotoras da insegurança. Essa gente aí da esquerda são os promotores do caos.
 
Mistura - Você acha que desejar a desgraça aos oponentes e essa concretização da desgraça ajudam a resolver o problema da segurança?
Clóvis - Isso aí é papinho de jornalista que quer vender jornal. Me desculpa se eu estou te dizendo isto, eu não embarco neste tipo de argumento que vocês fazem. É a minha indignação, eu falei, está falado, o que eu vou fazer. Eu estou indignado, falei.
 
Mistura Fina – Você é a favor destas manifestações de ódio?
Clóvis - A manifestação de ódio primeiro quem fez, tu olha o PT, tu olha o Lula, quantos outros aí, incitando ao ódio, querendo jogar o Sérgio Moro de janela e coisarada, então primeiro vocês analisem o que eles fizeram primeiro com os cidadãos de direito, que paga imposto e que trabalha, depois vocês vêm me criticar. Primeiro analisem quem incita o ódio, toda ação tem uma reação, isso é uma reação minha, acho minha reação natural, estão batendo em mim e eu não vou ficar calado.
 
Mistura Fina - Você acha que chamar uma mulher de vagabunda por não concordar com o posicionamento dela é correto?
Clóvis - Que que eu vou te dizer, quando me chamaram de vagabundo e eu estava no meu trabalho carregando ração, que sentimento tu acha que eu tenho?
 
Mistura - Acho que deve ser o mesmo que a Maria do Rosário sentiu agora.
Clóvis - Não sei. Ela que diga alguma coisa. Eu disse, agora ela que diga.
 
Mistura - Ficamos sabendo que eles pretendem processá-lo. Você ficou sabendo disso?
Clóvis - Não, não estou sabendo, estou assando um churrasco, estou muito bem aqui, faceiro, tranquilo. Vamos ver, o que eu disse está dito. 
 
Mistura - E o que você acha de toda essa repercussão que teve o seu comentário?
Clóvis - Eu até uns 20 minutos atrás estava cortando lenha no mato. Eu ainda não vi todas as postagens. Algumas pessoas já me ligaram me dando apoio. Que que eu vou fazer. Tem posicionamentos de uns e de outros. Eu tenho que ter o meu posicionamento, eu não vou apanhar a vida toda quieto. A gente cada vez mais chaveado, cercado, com cercas e com segurança, com isso e aquilo e vocês, todo mundo e tu está incluída, reivindicando maior segurança e daqui um pouco uma mulher como a Maria do Rosário, que promove o caos e promove a insegurança, isso eu digo e eu não volto atrás do que eu digo, então como que vocês vão querer a segurança? Aí depois vão lá e querem que o posto das Amoras permaneça lá, que a gente vá lá pedir apoio do governo, que discurso é esse ambíguo? Vocês têm que ter um pouquinho de firmeza do que falam e não ir de um lado e pro outro que nem uma canoa.
 
Mistura - O que é a segurança para você?
Clóvis - Segurança é o que eu vivi na minha infância, da gente estar tranquilo, poder tomar chimarrão na rua, não andar sempre com medo, esperando alguma coisa que fira a nossa liberdade.
 
Mistura - Para você, o trabalho da Maria do Rosário em relação aos direitos humanos no cárcere, em tentar ressocializar essas pessoas, não colabora com a segurança?
Clóvis - Não, no cárcere é uma coisa, mas no momento que pessoas que têm que manter a lei, Polícia Civil e Militar, e ela fica sempre criticando, o meu partido é o de quem mantém a ordem. Partido que eu digo não é partido político, é a minha posição, é de quem mantém a ordem. Quem está promovendo a desordem, o caos, incitando ao ódio primeiro, eu vou ter que dar a minha resposta, eu não vou ficar calado. Eu não sou ovelha que vai para o abatedouro.
 
Mistura - Na tribuna, você não costuma muito se manifestar.  Por que no Facebook é diferente, você não deixa passar?
Clóvis - Eu acho que cada um tem suas virtudes e seus defeitos. Eu acho que eu escrevo melhor do que eu falo. Não é que eu não tenha segurança no que eu falo, mas eu acho que eu na escrita me saio melhor. Mas isso é análise que eu faço de mim mesmo, talvez eu esteja errado. E outra que na tribuna, aquilo lá tem que dizer o que tem que dizer, eu acho que encher morcilha é serviço de açougueiro.
 
Mistura - Enfim, então você não se arrepende dos comentários?
Clóvis - O único arrependimento que eu tenho é de magoar e ofender pessoas de bem e que se melindrem com o que eu falei, pessoas mais sensíveis entendeu, eu não gosto de magoar ninguém. Agora essa esquerda, os promotores do caos, eu não estou nem aí para eles.
 
Mistura - Você é cristão e frequentador da Igreja Católica...
Clóvis - Olha, não mistura cristandade com outra coisa porque se tu olhar a Bíblia tu vai ver que se alguém entrar dentro da tua residência e tu matar, tu não vai ser julgado. Estudem a Bíblia primeiro, por favor, não cometam ignorância.
 
Mistura - Mas a Bíblia não pede para evitar esse discurso de ódio e de raiva, a Bíblia incita o perdão e não o ódio?
Clóvis - Não, vocês querem me pegar numa emboscada, vocês não vão me pegar. Eu sou cristão, mais cristão do que católico. Porque catolicismo ou qualquer outra coisa é uma religião, eu sou antes de tudo cristão, isso não renego, afirmo, só que eu não sou bobo. E outra, que nem Jesus Cristo disse: dá 77 vezes a face para dar um tapa. Eu não sou Jesus Cristo, eu sou imperfeito, perfeito era ele.
 
Assessoria da deputada diz que processará o vereador
 
O Mistura Fina entrou em contato com a assessoria da deputada Maria do Rosário. Segundo o informado, a parlamentar não se manifestará sobre a situação neste momento, mas ingressará com ação judicial contra o vereador de Taquari. “Só temos que esperar esta questão de recesso do judiciário”, informou a assessoria.
 
Maria do Rosário enviou R$ 700 mil para reforma do pavilhão e escolas em Taquari
 
Segundo a Prefeitura, nos últimos três anos, a deputada federal Maria do Rosário (PT) destinou três emendas parlamentares para realização de obras em Taquari, totalizando R$ 700 mil. Foi uma emenda por ano. Os recursos são para realização de obras no Ginásio de Esportes José Machado e nas escolas muncipais Timótheo Junqueira dos Santos e Emílio Schenk. 
De acordo com o Prefeito Maneco, R$ 300 mil, que já estão liberados pelo governo, serão utilizados na reforma do Ginásio de Esportes, popularmente chamado de Pavilhão da Laranja, que atualmente apresenta inúmeras goteiras e impossibilita a realização de atividades em dias de chuva. O restante dos recursos destinados por Maria do Rosário serão utilizados na construção de salas de aula, biblioteca e outros ambientes nas escolas Timótheo Junqueira dos Santos e Emílio Schenk. Para a Timótheo, são disponibilizados R$ 150 mil e, para a Emílio, R$ 250 mil.
 
OAB menifesta repúdio à atitude do vereador
 
Ontem, a presidente da subseção de Taquari da Ordem dos Advogados do Brasil, Maricel Pereira de Lima, enviou ofício à Câmara de Vereadores de Taquari registrando o repúdio aos comentários do vereador Clóvis Bavaresco. No documento, ela considera os posicionamentos do vereador como “manifestações de ódio, preconceito, desrespeito, incitação a práticas criminosas e machismo”.
Para a OAB de Taquari, a postura adotada pelo vereador mostra-se incompatível com o decoro e a ética exigida de um representante do Poder Legislativo, “especialmente considerando os princípios da democracia e da dignidade da pessoas humana, elementares ao Estado Social e Democrático de Direito, sobre os quais a Ordem dos Advogados do Brasil mantém-se vigilante”, destaca Maricel Pereira de Lima.
 
 

 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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