Taquari, 16 de Julho de 2018
NOTÍCIAS
05/01/2018
Vereadores criticam comentários de Clóvis Bavaresco nas redes sociais

A primeira sessão ordinária de 2018, realizada na terça-feira (2), foi marcada por polêmicas após os comentários do vereador Clóvis Bavaresco (PP) envolvendo a deputada federal Maria do Rosário (PT). Na semana passada, Clóvis se manifestou nas redes sociais, depois de a petista ter sido assaltada e lamentou que ela não havia sido estuprada pelos bandidos. A publicação repercutiu nacionalmente, sendo divulgada em diversos portais de notícias.
No início da sessão, o vereador Ademir Fagundes (PDT), primeiro secretário da Casa, leu os ofícios da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Taquari e do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), que repudiaram as manifestações de Clóvis. As instituições também solicitaram que a Câmara de Vereadores de Taquari apure a situação.
Em seguida, foi a vez do vereador Ramon Kern (PT) a se manifestar. “Em três mandatos como vereador, nunca imaginei que o uso da tribuna da Câmara de Vereadores seria para debater o ódio. Ódio que chegou pelas palavras do vereador Clóvis Bavaresco”, afirmou.
Ramon criticou os comentários de Clóvis, os quais considerou discurso de ódio. “Sinto-me no dever de repudiar e discordar daquilo que chamam de liberdade de expressão, de sinceridade”, afirmou. 
Assim como a OAB de Taquari e a CNDH, Ramon também pediu que a Casa se posicione quanto ao caso. “Tu, Clóvis, não cobraste da mesma forma o teu Governador Sartori quando ocorreram vários assaltos em Taquari. Tu não destinou as mesmas palavras ao secretário Cezar Schirmer, responsável direto pela segurança pública do Estado.”
 
Progressista tenta justificar comentário
 
Ainda no início da sessão, Clóvis foi até a tribuna para comentar o fato e se desculpar. “Realmente eu fui bastante infeliz na publicação que eu fiz, mas de maneira nenhuma eu desrespeitei as mulheres. Se teve um entendimento assim, o entendimento foi mal feito”, afirmou. 
Ele também disse que a intenção era defender as mulheres e que fez os comentários para que as pessoas “que estão no poder” não estão imunes aos crimes. “Já me retratei publicamente, tive uma reprimenda do PP, com toda a lógica que um partido deva ter sobre uma conduta não apropriada, mas aquilo foi um momento de indignação”, afirmou.
Entretanto, o progressista tentou justificar os comentários à deputada. “Me lembrei do caso do Champinha, aonde ele estuprou durante cinco dias uma mulher e depois matou violentamente. Então, o questionamento que eu fiz, foi em relação àquilo’’, reforçando que foi “uma infelicidade total nas colocações (sic)”.
Clóvis se refere a Roberto Aparecido Alves Cardoso, conhecido como “Champinha”, que em 2003 torturou, estuprou e matou Liana Friedenbach. Na época do crime, páginas na internet e nas redes sociais divulgaram que a deputada federal do PT teria defendido Champinha. “Ela defendeu o estuprador. Não defendeu as mulheres ou a menina que foi morta, mas o estuprador”, disse Clóvis.
Ramon rebateu o comentário de Clóvis quanto ao caso envolvendo Champinha. Ele lembrou que a informação de que Maria do Rosário teria defendido o assassino foi desmentida pela mídia. O petista imprimiu cópias de uma reportagem do portal Boatos.org, que desmente notícias falsas que circulam nas redes sociais, que falava sobre o caso, e entregou para o progressista e os demais colegas.
“Não sou advogado da Maria do Rosário, mas tu usou um boato para justificar os teus comentários. É dever do legislador se informar antes de usar a tribuna. As informações devem ser conferidas. E o caso do Champinha é uma mentira”, comentou.
 
Vereadores cobram posicionamento da Pastora Mara
 
Em meio à polêmica envolvendo o colega do Partido Progressista, a vereadora Pastora Mara decidiu discursar na tribuna sobre as expectativas para 2018, sem fazer menção aos comentários de Clóvis. Porém, a falta de posicionamento não passou barata pelos petistas Ramon Kern e Leandro Mariante. 
“Escutando as palavras da Mara, talvez não tenha notado a gravidade que é o que esta casa legislativa está metida. Você é a única mulher dessa casa, queria ouvir a tua opinião como mulher. Se tu se sentiu ou não ofendida”, afirmou Ramon. Ele também disse que o assunto não pode deixar de ser debatido na Câmara e que se trata de um desrespeito às mulheres que se manifestaram contra os comentários de Clóvis.
Diante disso, a pastora decidiu se manifestar. “A princípio, eu procurei entendê-lo. Com base nas palavras de Deus, procuro não julgar muito e ele disse que logo se arrependeu”, afirmou. “Quando ao nosso colega, eu procuro entender. Se ele diz que não foi um discurso machista, vou procurar acreditar e ser solidária com o meu colega.”
 
Presidente da Câmara se manifesta
 
O presidente do Legislativo, Zé Harry (PDT), que assumiu o cargo nesta semana, também se manifestou. “Tomaremos as medidas necessárias em relação ao fato ocorrido.”
Assim como Ramon, o pedetista também repudiou os comentário feitos por Clóvis e disse que ainda analisa o que será feito. “O Clóvis já se diz arrependido. Mas essa casa vai ter que tomar uma decisão. E que seja dentro da legalidade. Se existe quebra de decoro, vai ter que ser estudado isso.”
 
Mariante apresenta leis criadas pela deputada
 
Mais tarde, foi a vez do vereador Leandro Mariante (PT), que utilizou o espaço dos colegas e falou por mais de dez minutos sobre o caso. “Fico pasmo com os comentários do colega. Foi muito grave o que tu fez. Quando o senhor foi assaltado, o senhor não esbravejou contra o Governador Sartori. Não mandou estuprá-lo. Não mandou matá-lo”, criticou.
Para o petista, o discurso de Clóvis faz apologia ao estupro. “No Brasil há um caso de estupro a cada 11 minutos. São dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. E isso se prolifera em falas tipo as tuas, vereador Clóvis.”
Mariante defendeu a deputada federal, afirmando que ela enviou para Taquari mais de R$ 700 mil em emendas. E também apresentou leis criadas por Maria do Rosário, entre elas a que define a exploração sexual como crime hediondo, a que aumenta a pena nos crimes de homicídio e lesão corporal contra agentes públicos, a lei de Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, Combate ao tráfico de crianças e adolescentes, entre outros.
 
Tio Nei defende Clóvis
 
O vereador Tio Nei (PSDB) decidiu ir até a tribuna defender o colega. “Quero deixar registrado aqui, Clóvis, que eu te defendo contra decoro parlamentar. Quero que tu fique comigo aqui cumprindo o teu mandato que o povo te concedeu”, afirmou.
Tio Nei ainda disse que admirava Clóvis por ter se desculpado e ainda disse que somente Deus poderia julgá-lo. “O que ele falou eu tenho certeza de que muitos gostariam de falar, mas não têm coragem. Te defendo, Clóvis. Estou contigo. Sempre vou defender pessoa de bem. E o Clóvis é uma pessoa de bem”, afirmou. Ele pediu que os colegas parassem de criticar o progressista e pensassem no bem do Município.
 
Aprovado reajuste no auxílio do programa Mais Médicos
 
Durante uma sessão extraordinária, realizada também na segunda-feira, foram aprovados dois projetos de lei: o que concede benefícios aos integrantes do Projeto Mais Médicos para o Brasil. Com a medida, foram reajustados o valor do auxílio para moradia e alimentação para R$ 2.750,00 e R$ 770,00, mensais, respectivamente. Antes era de R$ 2.500 e R$ 700 mensais. A lei atende a portaria Nº 300 do Ministério da Saúde. 
O outro projeto de lei autoriza o Poder Executivo a celebrar Termo de Parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Taquari, para repassar R$ 31.571,97. O termo tem vigência de 1º de janeiro a 31 de março, podendo ser prorrogado por três meses. Em contrapartida, a APAE compromete-se a atender, no mínimo, 80 pessoas com deficiência intelectual e múltiplas e transtorno global do desenvolvimento. O valor é proveniente do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumdica) e teve o repasse aprovado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica).
 
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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