Taquari, 18 de Novembro de 2018
NOTÍCIAS
12/01/2018
Tentações versus acomodações

Parece difícil resistir à sede de vingança que assola o país. As pessoas querem se vingar dos assassinos, dos ladrões, dos corruptos, de todos que nos violentam diariamente nos noticiários e seguem impunes. É a turma da violência contra a violência, de que não tem outro jeito, que só medidas de força vão botar ordem na casa – e que se as medidas forem excessivas, tanto faz, a necessidade exige isso.
Por outro lado tem a turma da acomodação, do deixa disso, que usam teorias como o “garantismo de direitos”, que justificam até o Gilmar Mendes – alvo de revolta e piadas por soltar todo mundo. Ser violento é uma tentação, um impulso humano movido a descarga de adrenalina. Filmes de ação com heróis “justiceiros” fazem sucesso porque é prazeroso bater nos outros, em quem nos incomoda.
Do ponto de vista instintivo, agredir é bom. Isso, num certo sentido, iguala os nossos instintos e impulsos ao das pessoas violentas, às quais queremos combater com violência. Somos todos justiceiros, instintivamente.
O civilizado é mais chato, menos divertido. A civilização vai num sentido oposto ao do prazer e ao da violência, como dizia Freud ao contrapor a razão ao “princípio do prazer”. Por isso, não está na moda ser civilizado, está na moda a volta ao primitivo, ao bárbaro, ao “olho por olho, dente por dente”.
O problema aumenta quando, para expressar o ponto de vista “civilizado”, surgem os acomodadores, os defensores do “status quo”, cheios de justificativas intelectuais para demonstrar “racionalmente” que não podemos ser drásticos e temos de ser ponderados, mas ao fim de seus raciocínios e propostas compreendemos que, seguindo suas teses, resulta em que tudo ficará como está.
Na sua vida, tem pessoas que você odeia e, diariamente, tem que decidir se xinga, se ironiza  nas redes sociais ou se ignora. Isso vale para a sua vida pessoal e também para a crise civilizatória brasileira e mundial. Você também decide o que fazer em relação aos personagens políticos que odeia,, no Brasil e no mundo.
Curioso no Brasil é que a tradicional divisão direita e esquerda não vale quando se trata de criticar a Lava Jato, os políticos e militantes dos principais partidos – se digam de esquerda ou de direita – estão furiosos com a criminalização de políticos pela atuação da PF, do MP e do Judiciário. É a acomodação.
Enquanto isso a população adere cada vez mais à polarização radicalizada, entre líderes de direita e esquerda, todos com discursos agressivos contra os do outro lado, acusados de “fascistas” e de “comunistas”, respectivamente.
Seremos capazes de sair dessa armadilha, evitando a tentação da violência e também não caindo na mera acomodação? Esse é o nosso desafio em 2018.
 
Montserrat Martins
 

VÍDEO

No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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