Taquari, 18 de Novembro de 2018
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19/01/2018
“A nossa intenção é funcionar, agir, não ter gastança e retornar dinheiro para o município”

O pedetista José Harry Saraiva Dias está no comando da Câmara Municipal de Vereadores. Eleito presidente na última sessão do mês de dezembro, Zé Harry assume pela primeira vez o cargo. Em entrevista a O Fato Novo, ele falou sobre os rumos da Casa em 2018.
Entre os assuntos, o vereador destacou o objetivo de fazer o Legislativo funcionar e se aproximar da comunidade, sem exagerar nos gastos. Confira a entrevista.
 
O Fato Novo - Quais são seus objetivos como presidente do Legislativo?
Zé Harry - Eu acho que o maior objetivo é o fortalecimento do poder Legislativo, uma aproximação maior com a comunidade. Eu me sinto incomodado, porque, a não ser as sessões que tragam algum conteúdo polêmico, as reuniões da Câmara são assistidas mais pela imprensa do que pelo povo de Taquari. Temos que achar maneiras de levar a Câmara até a comunidade. Por exemplo, vamos fazer uma sessão em Júlio de Castilhos, e os moradores de Júlio de Castilhos, Bom Jardim, Passo do Juncal, Morro dos Kern vão se programar para assistir. Vamos fazer isso a partir de março. Se precisar, vamos repartir sessões, uma na Câmara, uma nos bairros, seja onde for. Vivemos nesse mundo turbulento da política, sei que isso responde muito a pessoas com restrições políticas, elas vêm os políticos como algozes e deixam de participar de questões, porque aqui nós falamos sobre o dia a dia da cidade, os problemas da cidade. Achar uma maneira de os vereadores trabalharem cada um com suas concepções ideológicas, cada um com seus partidos, com sua maneira de agir politicamente, mas tem ações que a gente pode fazer coletivamente.
 
OFN - Como fica a relação da Câmara com o Executivo?
Zé Harry - Eu sou homem de governo, mas não é uma relação de subserviência, é uma relação de respeito e o Maneco e o André já provaram isto, que têm uma relação de respeito conosco. São dois poderes. Não votamos sem convicção porque o governo pede, tanto é que confio plenamente nos propósitos do prefeito e do vice e, por consequência, os propósitos do prefeito e do vice são bem claros e evidentes, isso facilita o trabalho dos vereadores e a voação na Câmara.
 
OFN - Dois grandes problemas que o município enfrenta atualmente são a questão da falta de segurança e a crise no hospital. Como o Legislativo pode auxiliar nestas demandas?
Zé Harry - O problema de policiamento é um problema do Estado, infelizmente com esse modelo de estado quebrado. Eu acho que tem que continuar a cargo do estado e o estado tem que ter uma resposta para isso e nós vamos cobrar do estado isso.
E a questão do hospital é sempre delicada. Eu tenho muita preocupação com o hospital porque eu lembro da aquisição do hospital, de toda a luta que fez a classe política no governo do Ivo, depois no governo do Maneco e André para capacitar esse hospital, trazer as credenciais de referência. Porque a referência na cidade tem uma importância gigantesca para sua área de atuação na saúde, para as pessoas, para a vida da cidade. Lajeado se tornou esse pólo, em virtude de várias coisas, entre elas o hospital Bruno Born. Não estamos buscando comparar Taquari com Lajeado, cada um tem suas características, mas isso nos preocupa, a gestão do hospital nos preocupa. Acredito que até agora que é feito com seriedade, e não quero descrer disto. Eu era secretário no momento da maior crise que passaram os hospitais, o grande erro nosso, do Maneco, André e eu, foi que na ânsia de querer sempre prestar o serviço à comunidade, não foi cessado quando o estado começou a não fazer os repasses para o hospital. Isso atrapalhou a relação do hospital com os municípios que ele é referência, isso foi a grande questão para nós perdemos as referências. Não existe reclamação de condição técnica, nunca teve uma auditoria ou a vigilância sanitária dizendo que estavam sendo infringidas normas de autenticidade, de pós-operatório, do acolhimento do paciente, nada disso foi feito. Porque se acontece isso, tu começa a aceitar que está faltando capacidade técnica, mas isso não faltou no nosso hospital. Taquari perdeu as referências porque o hospital ficou tentando prestar um serviço, sem recurso para tal, naquele turbilhão de dívidas e não pagamentos. Acontecia que, muitas vezes, os profissionais não vinham porque estavam devendo. Um município ligava e mandava 15 pessoas para o hospital, confirmava que viriam as 15 pessoas e, na chegada aqui, o médico não vinha por não ter recebido. E essa logística complicou a vida do hospital e eu sei que isso incomodou os secretários municipais, eu sei porque eu fui Coordenador Regional de Saúde. A consequência de todas essas ações, desta falta de recurso, de tudo que o hospital tentou reestabelecer e pagar os seus profissionais ocasionou isso. E a nossa preocupação é buscar de novo, e acho que tem que ter participação, não só do município e governo como estrutura, mas do hospital. O hospital tem que fazer a sua parte, e acho que faz, e adoro os funcionários, mas ele pode fazer um pouco mais nessa parte de prestação de serviço. Eu disse porque o hospital de Taquari não conversa com o hospital de General Câmara, de Bom Retiro do Sul? Será que esses três municípios em conjunto não poderiam se autofinanciar alguns serviços, médicos, que nós não temos e que nós deixamos muitas vezes os pacientes a espera de transferência para um centro maior. Tem como fazer, eu tenho certeza disso, com um aporte financeiro que os municípios têm condições de colocar e os hospitais organizarem isso, em várias áreas. Não estou falando dos funcionários, falo até da direção do hospital, em propor isso. Nós temos Tabaí, Bom Retiro, Fazenda Vilanova, Paverama, General Câmara, os nossos lindeiros, todos podem se ajudar. Nós temos o hospital de Taquari que tem uma parte física boa, pode precisar equipar, buscar recursos, buscar profissionais para atender. Dá para fazer essa conversa entre as entidades hospitalares e municípios. E o Legislativo pode ser o mediador disso, o proponente.
 
OFN - Como vai agir quanto ao gasto com diárias e realização de cursos?
Zé Harry - Eu sempre disse e continuo, acho que a gente tem que tramitar dentro do razoável. Eu fui secretário de Saúde em três governos, deu 6 anos e pouco de secretário de Saúde, eu podia ter uma carro à minha disposição, mas eu ia com o meu carro, não pegava diária, eu poucas vezes usei carro da secretaria da Saúde. Mas se tem algum tema importante, que vai acrescentar na qualidade do cara que está legislando, ele vai ter o direito de fazer. A nossa intenção é funcionar, agir, não ter gastança e retornar dinheiro para o município para comprar medicamento, canos, para iluminação pública, para dar repasse para o hospital.
 
OFN - Na sua gestão, já houve a saída de um servidor da Câmara. Ele foi substituído? Por quem?
Zé Harry - Foi substituído pelo Lucas Martin.
 
OFN - Haverá outras trocas?
Zé Harry - A princípio não.
 
OFN - Ivo Lautert vai assumir a direção?
Zé Harry - Não.
 
OFN - Esse ano tem eleição para presidente, governador, senador e deputado. Você acha que isso vai  alterar o trabalho do Legislativo? Pode trazer alguma dificuldade, problema ou desafio?
Zé Harry - Eu não vejo como desafio. Porque queira ou não a verdade está posta. Eu sempre procurei levar minha vida política com cordialidade, aprendi a discutir, já tive discussões em que estava, muitas vezes, errado, mas pedi desculpa. Eu acho que é normal os ânimos acirrarem entre os vereadores e a gente tem que aprender a conviver com isso. Tem que discutir em cima das posições que nós defendemos e a democracia é isso. Esse ano vai ser um ano atípico, um ano muito diferente, existe uma espctativa nas pessoas, existe muita raiva nisso, existe muita culpa, uma polarização, falta de tolerância. Meu partido tem candidato, Ciro Gomes, eu vou trabalhar para ele, nós temos candidato a governador também e acho que nós podemos fazer isso com tranquilidade. Mas vai ter debates acirrados, porque eu calculo aqui três ou quatro candidatos que o pessoal vai defender, como Lula, Ciro Gomes, Bolsonaro, vai ter candidato do PSDB também naturalmente, para mim é normal isso, eu não vejo problema.
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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