Taquari, 21 de Fevereiro de 2018
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26/01/2018
Antes de morrer, taquariense deixa cartas para o filho

Enquanto lutava contra um câncer em estágio avançado, a taquariense Catieli da Costa Silva, que faleceu aos 30 anos em janeiro de 2016, conseguiu uma maneira de prolongar sua vida junto ao filho Matheus, na época com oito anos. Aceitando que poderia vir a morrer muito jovem em função da doença, a professora de educação infantil se dedicou a escrever cartas, decoradas e escritas a mão, para acompanhar o desenvolvimento do menino e poder aconselhá-lo diante de diversas etapas de sua vida.
As mensagens foram escritas em maio de 2015 e apenas a irmã de Catieli, Marieli Ferreira, 23 anos, sabia da existência delas. “Ela falava para mim porque sabia que eu não ia criticar. Não que a fossem criticar, mas se ela falasse para a mãe, a mãe ia acabar desconversando, como todo mundo. Eu também fazia a mesma coisa, mas ela sabia que eu ia entregar as cartas e fazer o que ela queria”. Segundo Marieli, a irmã se inspirou no filme P.S. Eu Te Amo, ao qual as duas gostavam muito de assistir. Para ela, a doutrina espírita e o estudo do espiritismo, começado por Catieli quando descobriu a doença, também a ajudaram a aceitar melhor a doença e escrever as cartas. “Acho que foi um pouco por isso que ela teve esse entendimento de conseguir escrever as cartas”, considera Marieli. “Foi a maneira que ela achou de prolongar o tempo com o filho, o que ela ia dizer para ele deixou nas cartas”, completa a mãe.
As mensagens, lacradas, foram guardadas dentro do roupeiro de Catieli. Após a morte, elas foram entregues ao filho da jovem. Cinco cartas estavam prontas: para o dia do luto, para o primeiro aniversário após a partida, para o Natal daquele ano, aniversário de 14 anos e formatura. Outras mensagens ainda seriam escritas, pois foram encontrados diversos papéis já decorados pela professora, com corações e lantejoulas. “Quando ela piorou, não conseguiu mais escrever, por isso só tem cinco. Ela queria fazer mais, queria escrever para o casamento”, recorda a irmã.
Três das cartas já foram abertas pelo menino, que hoje está com 10 anos. A primeira delas, que foi escrita para o dia da partida, foi aberta pelo filho alguns dias depois, junto com sua psicóloga. A segunda foi aberta com o pai, no dia do aniversário de Matheus, em agosto de 2016. A última carta aberta foi no Natal daquele ano, junto com a avó, Noeli Ferreira da Costa. 
Segundo Noeli, o neto pediu que fossem à sorveteria para abrir a carta. “Eu disse: Matheus, vamos ter que sentar numa mesa mais para o fundo, porque se der vontade de chorar. Aí ele disse: não, vó, nós vamos tomar sorvete e ler lá na tua casa. Quando viemos, ele leu e entregou para mim. Eu li e chorei. Ele disse: para, vó, não chora, meu vô vai ver e ficar nervoso”, lembra a mãe. Segundo ela, o menino é muito tranquilo e não chora ao ler as mensagens.
Ainda faltam alguns anos para que as outras cartas possam ser abertas. Uma delas será no aniversário de 14 anos do menino, a idade que a mãe acreditava que ele iria começar a namorar. A outra, deve ser aberta na formatura de Matheus.
A história da taquariense tornou-se pública na semana passada, após o colunista Davi Coimbra e o jornal Zero Hora publicarem o fato. Noeli contou que comentou sobre a existência das cartas com o médico que tratava de Catieli. “Ele me pediu para levar as cartas para ele tirar xerox, que iria mandar para o Davi Coimbra”, conta a mãe. Para Noeli, relembrar a situação tem sido difícil. “Mexe um pouco com a gente, fica difícil”. Nas redes sociais, após a publicação da história, as cartas ganharam publicidade e emocionaram leitores.
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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