Taquari, 19 de Fevereiro de 2018
NOTÍCIAS
26/01/2018
Situação financeira do Hospital de Taquari está cada vez pior

Os funcionários do Instituto de Saúde e Educação Vida (Isev), que administra o Hospital de Taquari, estão, mais uma vez, com salários atrasados. Até o fim da tarde de ontem, dia 25 de janeiro, os trabalhadores teriam recebido apenas 25% do valor referente ao 13º salário de 2017 e 35% da folha de dezembro, que deveria ter sido paga nos primeiros dias de janeiro. A situação levou parte dos servidores a protestar, na tarde de ontem, em frente à instituição.
Mais de vinte servidores participaram do ato. Todos estavam vestidos de preto. Alguns seguravam cartazes, apitos e panelas. Um sapo de pelúcia também foi levado à manifestação. Segundo as funcionárias do Isev, o objeto simboliza “os sapos que se tem que engolir”.
“A gente está devendo para as lojas, temos conta para pagar e estamos sem dinheiro”, disse uma das servidoras. “Ainda temos o dissídio do ano passado para receber”, completa outra.
Os servidores reclamaram da falta de diálogo da direção da casa com os funcionários. “Não se comunicam com a gente, ficam trancados dentro de uma sala. Ninguém nos dá uma previsão de quando vamos receber, se vamos receber”.
Durante o protesto, o atendimento no Isev foi realizado normalmente. Parte dos funcionários se revezou entre protesto e atendimento aos pacientes. “Não queremos paralisar o serviço, prejudicar os pacientes, só queremos receber o nosso salário”.
Além do manifesto, nesta semana, alguns funcionários trabalharam com um laço preto junto ao uniforme. Parte dos trabalhadores também utilizou calças e blusas pretas ou roupas coloridas, em vez do tradicional branco, que compõe o uniforme da casa de saúde.
Além disso, segundo informações passadas a O Fato Novo, no sábado, nenhum dos funcionários do setor de higienização do hospital comparaceu ao serviço. No domingo, apenas uma das servidoras da área teria trabalhado.
Os funcionários da insitutição dizem que a situação financeira do hospital está cada vez pior. “Faz muito tempo que o salário não é pago direito, mais de três anos. Antes até atrasava, mas era pouco. Depois começaram a parcelar, pagando 75% e depois o resto, aí todo mundo aceitou. Mas depois passou para 50%, e agora está em torno de 25%. Estamos quase no fim do mês, perto de pagar o outro salário já, e não temos nem previsão de quando vamos receber o resto”, lamenta uma funcionária da instituição.
Segundo os trabalhadores, a situação está ficando insustentável. “Em casa está terrível, porque a gente depende dali para sobreviver e agora não tem. Está bem difícil para todo mundo. Tem colegas chorando pelos cantos que não têm nem comida em casa, que não têm dinheiro para pagar água, luz, aluguel”, contou.
Além dos vencimentos atrasados, os funcionários da insitutição não estão com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em dia. Para alguns trabalhadores, houve meses em que o FGTS chegou a ser depositado, mas para muitos, não há um centavo na conta. Também há problemas nos pagamentos das férias dos servidores, que só é feito após eles retornarem do descanso. O valor deveria ser depositado dois dias antes de os servidores saírem de férias.
 
Segundo sindicato, Isev é o único hospital da região com atraso de salários
 
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (SindiSaúde) do Vale do Taquari, Carlos Luis Gewehr, o Instituto de Saúde e Educação Vida é o único hospital da região com atraso no pagamento de salários. “Até o final do ano passado, eu tinha problemas com Putinga também, mas foi resolvido. Então, em termos de hospital, o único que está com essa peculiaridade é Taquari”, disse.
Segundo ele, o SindiSaúde tem, no mínimo, seis ações coeltivas contra o Isev, que buscam o pagamento de salários, FGTS, 13º e férias em dia. No entanto, a situação continua se arrastando por anos.
Na tarde da última segunda-feira, ele esteve no Isev para tentar conversar com a direção da casa. Segundo Carlos, foi informado que o diretor Fabiano Voltz estava em reunião e acabou sendo recebido pela responsável pelo Recursos Humanos do Hospital de Taquari. O presidente do sindicato quer unir funcionários e direção em busca de uma solução para a crise financeira que perdura na instituição. “Eu não quero levantar mais ações contra o hospital. Eu quero que as coisas se resolvam, não adianta ficar colocando processo, processo. Tem que sentar e unir forças para ver o que realmente está acontecendo”, relatou. 
Segundo Carlos, além de estar com salários atrasados, os funcionários da instituição têm sido coagidos e sofrido assédio moral. “Tem pessoas com início de depressão, que ouvem: se tu não está satisfeito, pede demissão”, conta o sindicalista. De acordo com o SindiSaúde, paralisações e greves contra os atrasos no pagamento estão sendo levadas em consideração, mas com cautela. “Se não houver diálogo, o sindicato está disposto a meter a cara ali e paralisar, mas a gente fica com o pé atrás de envolver o funcionalismo porque depois pode haver retaliação”, considera.
 
Direção do hospital pretende colocar os vencimentos em dia até a semana que vem
 
Por volta das 14h, todos os manifestantes foram convocados para uma reunião com a direção do Isev. Muitas funcionárias chegaram a chorar durante o encontro ao relatar a situação que estão passando.
Participaram da reunião, além dos servidores, a antiga administradora da unidade de Taquari, Letícia da Silva Camboim, e o coordenador regional do Isev, Fabiano Voltz. Conforme relatado na reunião, ainda não tinha sido conversado diretamente com os funcionários sobre o atraso nos pagamentos, por falta de uma definição de data para a quitação dos vencimentos. Segundo Fabiano Voltz, com novas previsões de receitas que devem se confirmar nos próximos dias, a intenção do Isev é quitar o a primeira parcela do 13º salário até o fim da tarde de hoje, com recursos que devem ser liberados pela União. O valor é referente ao repasse mensal do Governo Federal à instituição, que, no mês de janeiro de 2018, será feito com atraso. “O recurso sempre entra no início do mês, mas como mudou a modalidade de vínculo de repasse junto à União, que antes eram várias contas e agora são somente investimento e custeio, teve toda uma reformulação, abertura de contas por parte dos municípios, e isso acabou gerando atraso no repasse, que sempre vinha pelo dia 7, 8 de cada mês”, explicou Fabiano. Caso o recurso não seja liberado hoje, o município se comprometeu em antecipar o seu repasse de fevereiro para o pagamento desta primeira parcela do 13º.
Já a segunda parcela do 13º e o restante do salário dos servidores devem ser pagos na próxima semana, com recursos captados através de empréstimo que o Isev contratou junto ao Governo do Estado, através do Fundo de Apoio Financeiro e de Recuperação dos Hospitais Privados. Para a folha de janeiro, que deve ser paga no início do mês de fevereiro, o Isev está contando com os recursos que devem ser repassados pela União e Prefeitura de Taquari para pagar pelo menos uma parte dos salários.
Já em relação ao depósito de FGTS que não vem sendo feito, a direção do Isev informou que está realizando um parcelamento junto à Caixa Econômica Federal para começar a regularizar a situação. Ainda não foram feitos depósitos deste parcelamento.
Segundo Fabiano Voltz, a instituição enfrenta um momento difícil e quer rever os convênios com a União e Prefeitura, para tentar diminuir o déficit mensal da casa de saúde, que estaria em cerca de R$ 80 mil. A ideia é adequar os serviços prestados pelo hospital ao orçamento da instituição. “Estamos readequando o quadro de funcionários, estamos revendo o que a gente pode fazer para suprir esse déficit mensal. Temos que rever a questão de insumos, de serviços prestados. Estamos fazendo um planejamento, para tentar conseguir reverter esse cenário”, explicou.
Sobre as manifestações realizadas pelos funcionários nesta semana, a direção do Isev disse que as considera legítimas. “Eles têm esse direito. Os salários estão em atraso e são profissionais que têm família. A gente entende o lado dos funcionários e respeita qualquer tipo de manifestação”, disse Fabiano.
A reunião também contou com a presença presidente do Legislativo, Zé Harry (PDT), e do vereador Ramon (PT), que conversaram com os manifestantes durante o protesto e intermediaram um diálogo com a direção da casa. Uma das solicitações feita pelos vereadores foi a formação de uma comissão de funcionários para realizar reuniões periódicas com a administração do Isev, buscando melhorar o diálogo na instituição. Os funcionários decidirão quem fará parte da comitiva.
 
 
 
 
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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